quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Gregório de Mattos Guerra, um visionário

Prezados leitores,
Salve Maria!


Sempre fui admirador da obra de Gregório de Mattos Guerra e de sua crítica ácida e contundente contra os relaxos tanto da vida pública quanto da vida privada, fossem cometidos por poderosos ou por gente da arraia-miúda. Causa-me perplexidade o quanto a obra do poeta baiano permanece contemporânea, levando-me a crer ou que Gregório tenha sido um visionário ou que o Brasil muda de modo similar ao posicionamento dos ponteiros do relógio, avançando para poder retornar ao ponto de partida.

O breve preâmbulo acima serve para colocar o leitor a par das motivações que me levam a partilhar o soneto que segue:



A cada canto um grande conselheiro.
que nos quer governar cabana, e vinha,
não sabem governar sua cozinha,
e podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um frequentado olheiro,
que a vida do vizinho, e da vizinha
pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
para a levar à Praça, e ao Terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,
trazidos pelos pés os homens nobres,
posta nas palmas toda a picardia.
Estupendas usuras nos mercados,
todos, os que não furtam, muito pobres,
e eis aqui a cidade da Bahia.

Estupendo, não concordam?




Pax Domini,


O Cruzado Extemporâneo

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