Salve Maria!
Sempre fui admirador da obra de Gregório de Mattos Guerra e de sua crítica ácida e contundente contra os relaxos tanto da vida pública quanto da vida privada, fossem cometidos por poderosos ou por gente da arraia-miúda. Causa-me perplexidade o quanto a obra do poeta baiano permanece contemporânea, levando-me a crer ou que Gregório tenha sido um visionário ou que o Brasil muda de modo similar ao posicionamento dos ponteiros do relógio, avançando para poder retornar ao ponto de partida.
O breve preâmbulo acima serve para colocar o leitor a par das motivações que me levam a partilhar o soneto que segue:
-
- A cada canto um grande conselheiro.
- que nos quer governar cabana, e vinha,
- não sabem governar sua cozinha,
- e podem governar o mundo inteiro.
- Muitos mulatos desavergonhados,
- trazidos pelos pés os homens nobres,
- posta nas palmas toda a picardia.
- Estupendas usuras nos mercados,
- todos, os que não furtam, muito pobres,
- e eis aqui a cidade da Bahia.
Estupendo, não concordam?
Pax Domini,
O Cruzado Extemporâneo

Nenhum comentário:
Postar um comentário