terça-feira, 12 de outubro de 2010

Busquemos a graça de imitar Nossa Senhora

Prezados leitores,
Salve Maria!



A devoção a Nossa Senhora é hábito muitíssimo recomendável, como bem se sabe. Entretanto, para além de sua poderosa intercessão em nosso favor (afinal, que Filho nega um pedido a Sua Mãe?), Maria Santíssima nos lega seu fascinante exemplo de vida, vida essa pautada pela humildade e pelo recato, pela renúncia a si mesma em favor do próximo e sobretudo em prol do radical cumprimento da vontade de Deus.

O mundo de hoje, espiritualmente corroído pelo hedonismo e pelo materialismo, gradativamente tem se desincumbido de quaisquer atividades que demandem algum sacrifício ou esforço (mesmo os insignificantes sacrifícios do tédio e o do silêncio são quase sempre insuportáveis para o cidadão médio, mesmo o católico. A proliferação de músicas estúpidas revela mais uma vontade de mitigar a ociosidade tediosa e o mal-estar do silêncio que propriamente uma opção pela idiotice e pelo barulho). Ao se omitir culpavelmente dos encargos enfadonhos e estafantes, o atual mundo torna-se antípoda de Nossa Senhora, disposta que sempre foi em agir conforme princípios, e não segundo vontades e apetites volúveis. Ela, grávida e sem dispor de um sedan luxuoso e veloz para conduzí-la, viajou até sua parenta Santa Isabel para oferecer seu serviço. Ela, vivendo em uma sociedade que apedrejava mulheres que engravidavam fora do casamento, ainda estando noiva se atreveu a dizer sim ao Espírito Santo para que em seu útero Ele miraculosamente conjugasse em carne humana o Sacratíssimo Verbo da nossa redenção. Como se vê, Nossa Senhora era mais amiga do Bem e da Verdade que da comodidade.

Fico imaginado o que aconteceria se o Espírito Santo precisasse hoje de uma mulher para que fosse concebido o Filho de Deus. Umas recusariam, alegando que a Santa Maternidade proposta pelo Paráclito lhes atrapalharia os estudos. Outras rejeitariam a oferta com horror ante a perspectiva de engordar alguns quilos com uma gestação, ainda que a mais nobre e santa de todas. Finalmente, algumas talvez até aceitassem, mas uma vez escarnecidas por não serem mães dos filhos de seus maridos, ou ainda afligidas por dificuldades econômicas mais ou menos severas, provavelmente acabariam por recorrer ao aborto, transformando a maravilhosa obra da Encarnação do Verbo em um anônimo montículo de lixo hospitalar, para gáudio dos políticos que se dizem favoráveis à autonomia das mulheres sobre seus corpos, e sobretudo para grande júbilo daquele que é homicida desde o princípio.

Nós, cristãos, devemos procurar combater em nós a inclinação para a frouxidão e para a preguiça, próprias do hedonismo. Saibamos estar atentos aos apegos que nutrimos a tudo que é fácil e imediato, a todo prazer fugaz, a tudo que propicia satisfações e deleites aos reclames da carne. Porque se não soubermos resistir àquilo que é prazeroso, não estaremos aptos a resistir àquilo que é doloroso, e com isso não conseguiremos ser resolutos o suficiente para cumprir ou deixar que se cumpram em nós os desígnios divinos quando adversas forem as circunstâncias. Em outras palavras, procuremos orar e trabalhar pela obtenção da graça da fortaleza e da disciplina, para que com elas possamos perseverar nas sendas do Altíssimo, única esperança de salvação. Não deixemos a adição espiritual pela facilidade e pela comodidade nos impelir, por medo de qualquer agrura, a abortar a obra de Deus em nossas vidas. Com os preciosos auxílios da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, alcançados a nós pela intercessão de Maria Santísima, que possamos nós buscar nos aperfeiçoar na imitação de Nossa Senhora para que Dele sejamos dignos.




Pax Domini,


O Cruzado Extemporâneo

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