terça-feira, 12 de outubro de 2010

De novo, a cultura da morte

Prezados leitores,
Salve Maria!









Para assombro de todos os cristãos, recentemente foi anunciado o primeiro teste de uma terapia envolvendo o uso de células tronco embrionárias humanas. Mais uma vitória daqueles engajados na campanha pela pela completa dessacralização do dom da vida, conforme nos advertiu Dom Aldo Pagotto.

A insistência em técnicas terapêuticas tão brutais quanto desacreditadas é reveladora. Brandindo fins respeitáveis para convencer as pessoas de que querem curar doenças e mitigar o sofrimento neste vale de lágrimas, o que os tecnocratas envolvidos com esse experimento macabro (e consabidamente útil apenas para destruir embriões) pretendem é criar um brave new world huxleyano, no qual os fins alegados por uma casta de cientistas charlatães sempre justficam os meios torpes por ela empregados para refazer o mundo a imagem e semelhança de suas utopias.

Inexeqüíveis que são, essas utopias demandam meios de ação crescentes para que os que as cultivam supostamente possam conseguir implementá-las. Meios esses que tanto as leis quanto as convenções sociais eivadas de princípios cristãos não colocam ao alcance da casta tecnocrata. É nesse contexto que a vida humana, protegida tanto pelo ordenamento jurídico quanto pelos valores amplamente difundidos entre o povo, precisa então ser banalizada e relativizada, já que ela é mãe de todas as garantias que alguém possa ter. Afinal, é fato que todos os direitos possíveis e imagináveis pressupõem o direito de existir: nenhum direito jamais foi concedido a seres inexistentes.


Não há melhor meio para banalizar e relativizar o direito à vida que criar precedentes para destruí-la, e por meios furtivos gradualmente ir tonado-os mais abrangentes e permissivos. Hoje estamos usando embriões congelados em experimentos. Amanhã estaremos mantendo estábulos de adolescentes apenas para uso de seus órgãos em transplantes. É a decorrência natural do processo, já que se um feto não pode ser considerado ser humano em virtude do grau de completude de seu desenvolvimento biológico, tampouco o adolescente poderá sê-lo, já que o lobo frontal de seu cérebro não está completamente formado. E os precedentes podem ser formidavelmente alargados se ainda levarmos em conta contextos psicológicos e sociais ...



Uma vez que o direito garantidor de todos os demais, o direito à vida., tenha sido suficientemente atenuado e relativizado, teremos criado um mundo no qual na verdade não haverá mais direitos. Assim, prevalecerá a lei do mais forte, e este terá liberdade ilimitada para fazer tudo quanto desejar, contra o que (ou quem) quer que seja, conforme lhe apeteça. Embora não admita, a casta tecnocrata aspira a ser "o mais forte" quando (e se) a implosão civilizacional chegar: nessa ocasião, teoricamente os meios de ação ilimitados dos quais falamos estarão a seu dispor para criar, a partir dos escombros da humanidade, a suposta civilização ideal que nunca existiu senão nos próprios sonhos degenerados e francamente doentios. Ou é possível enxergar sanidade mental (ou espiritual) em quem sonha com meios de ação ilimitados, sabendo que o Único que verdadeiramente os tem é a Onipotência Divina?

Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus nunc et in hora mortis nostrae

Portanto, peçamos hoje a Nossa Senhora que ela nos livre da soberba e da pretensão de nos igualarmos a Deus. Peçamos também que ela nos proteja daqueles que cultivam essa pretensão.


Pax Domini,



O Cruzado Extemporâneo

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