Salve Maria!
Foi com satisfação e alívio que os cristãos acolheram a mensagem do arcebispo Raymond L. Burke, Prefeito da Assinatura Apostólica do Vaticano (o mais alto tribunal da Santa Sé), defendendo a dignidade intrínseca da vida humana e o direito (se é que não dever) do episcopado católico de usar sua influência para dar combate a candidatos e partidos abortistas. Agora, para tornar nossa alegria mais completa, e para infundir ânimo nos bispos brasileiros que ousaram enfrentar a agenda abortista da candidatura oficial, o próprio Bispo de Roma lhes dá respaldo para que perseverem na defesa do direito à vida, inclusive, se preciso for, mediante o engajamento político. Gloria in excelsis Deo!
Alguns esquerdistas talvez se atrevam a rosnar contra o Santo Padre, qualificando as palavras de Sua Santidade como ingerência política de um chefe de Estado estrangeiro nos assuntos nacionais. Outros talvez irão repetir pela enésima vez o mantra bocó de que o Estado brasileiro é laico, e como tal, não pode admitir que as posições doutrinárias da Igreja embasem as políticas públicas do País. Antes de colocar aqui a íntegra da declaração do papa Bento XVI ao episcopado brasileiro, vou me ocupar em dar respostas satisfatórias aos meus possíveis detratores petistas e as suas hipotéticas objeções às palavras do Sumo Pontífice.
Quanto à questão da ingerência externa na política brasileira, se é que o papa Bento chegou mesmo a cometê-la, devo lembrar aos vermelhóides de plantão que deveriam repudiar a intervenção estrangeira nos assuntos brasileiros sempre, e não somente quando esta lhes é desfavorável. Que eu me lembre, nenhum petista reclamou quando Donna Hrinak, então embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, declarou que Lula era a personificação do "sonho americano", dando a entender ao eleitorado mais conservador que o atual presidente seria um capitalista autêntico e um bom democrata. Tampouco tive conhecimento de que algum petista tenha ficado indignado com as sucessivas declarações nas quais Hugo Chávez, o tiranete cucaracho filo-fascista da Venezuela, hipotecou seu entusiasmado apoio à candidata Dilma Rousseff.
No que concerne ao caráter laico do Estado, ainda que este seja 100% verdadeiro (e não é), não se pode dizer que ele deva se traduzir em ateísmo estatal, em rejeição apriorística e sistemática a todas as normas que provenham de normas religiosas: se assim fosse, o furto e o roubo deveriam ser legalizados, já que as denominações cristãs condenam essas práticas. Bom ,e por que dizer que o Estado brasileiro não é verdadeiramenre laico? Algumas razões:
1- O preâmbulo de nossa Constituição invoca a proteção de Deus. Se o Estado brasileiro invoca a proteção do Altíssimo, isso significa que reconhece não só a existência Dele, como também admite sua posição hierarquicamente inferior inclusive no plano político (nem mencionemos no plano espiritual).
2- O Estado brasileiro imprime em nosso padrão monetário, o Real, a seguinte inscrição: DEUS SEJA LOUVADO. Tenha o leitor petista a bondade de verificar que a dita inscrição encontra-se rubricada pelo ministro da Fazenda e pelo presidente do Banco Central.
De antemão dadas todas as explicações às possíveis objeções dos eventuais detratores de S.S. Bento XVI, sigo adiante colocando aqui a íntegra da declaração do Santo Padre acerca da questão do aborto e as eleições brasileiras:
Amados Irmãos no Episcopado,
«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.
Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.
Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).
Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).
Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).
Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).
Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.
Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.
Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.
FONTE: Fratres in Unum
Portanto, o Sumo Pontífice deu seu integral apoio à luta política dos sacerdotes brasileiros contra o aborto, momentaneamente encarnada na oposição à candidatura governista. Que ninguém se deixe enganar por padres e bispos que, não satisfeitos em omitirem-se do bom combate em prol da dignidade da vida humana, ainda ousam usar sua influência para demover os cristãos sinceros de engajarem-se nesta justa peleja.
Pax Domini,
O Cruzado Extemporâneo
PS: Recomendo aos meus caros leitores que assistam e divulguem o vídeo que segue:
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| http://www.youtube.com/watch?v=ny9ZmOBasgI&feature=player_embedded |



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